quarta-feira, 24 de junho de 2015

Reversão do verso inverso

Sobre hinos em inglês com versão em português

Traduções e adaptações de hinos em inglês sempre existiram, afinal, somos frutos de missionários que saíram de lá e importamos entre os costumes, o musical. Na verdade, no começo, só havia hinos em inglês mesmo, que aos poucos foram sendo traduzidos para o vernáculo – note a quantidade de autores estrangeiros nos hinários (Harpa Cristã, Cantor Cristão, etc).

Robert Reid Kalley (1809-1888) e sua esposa Sarah Poulton Kalley (1825-1907) plantaram os marcos iniciais da hinologia evangélica no Brasil através da coletânea Salmos e Hinos. Quando as gravadoras cristãs chegaram por aqui, décadas depois, você pode notar grupos ou corais (como Som Maior ou Vencedores por Cristo) fortemente influenciados pela música norte-americana, ao menos nos primeiros álbuns. Antes, no entanto, alguns já haviam sido inspirados para louvor da glória de Deus com lindas composições tupiniquins. Nomes como Salomão Luiz Ginsburg, Paulo Leivas Macalão, Frida Vingren e João Dias de Araújo. O baiano Manuel Avelino de Souza também está entre os destaques nacionais. Sobre ele o musicólogo batista Roberto Tôrres Hollanda, escreve:
“... Qual foi a contribuição de Manuel Avelino? Dar sentimento nacional a uma hinódia importada”.

A música é de fato, como diz o clichê, universal. Não faz, portanto, sentindo deixar de apreciar um trabalho, qualquer que seja, pelo simples fato de ele não ter sido produzido no (ou por pessoas do) seu país. Por outro lado, é justa a censura nacionalista à exaltação da música importada (principalmente, em nosso caso, de língua inglesa), à sensação de que uma canção parece ser melhor se cantada no idioma anglo-saxão. Branco Mello e Sérgio Britto têm uma crítica sobre este tema na música “A melhor banda de todos os tempos da última semana”.

É claro que, se você parar para pensar, o cerne da questão é a alienação, a falta de senso crítico para avaliar a música, e isto serve para a avaliação de qualquer tipo de música (ou de qualquer avaliação), inclusive brasileira. Não dá pra dizer se uma canção é boa depois que ela já te fisgou, depois que você já está entorpecido por aquele solo alucinante, aquela batida dançante, aquela voz arrebatadora, a não ser que sua definição de boa música coincida com a de música entorpecente.

Tem também outro ponto. Não sei se você percebeu, mas estou falando de julgar a música como um todo. É claro que eu sou livre pra gostar de uma música por apenas um destes detalhes listados acima ou porque ela me foi dedicada em minha vitória da maratona de minha cidade. Gosto é gosto, tem fatores pessoais. Eu já gostei de filmes medíocres simplesmente porque curti os efeitos especiais ou a trilha-sonora, a fotografia, etc, mas eu tinha consciência disso. Não saí por aí dizendo que o filme era bom. O recado é: aprecie boa arte, não importa a origem, mas não seja monocordicamente bitolado.

Como sempre, este era para ser um texto simples que extravasou. A ideia é listar as músicas que conheço que foram adaptadas para o português, mas ao invés de colocar aqui, eu fiz uma playlist no Youtube. Ela será aumentada conforme for lembrando (ou lembrado) de mais canções (sei de um monte interpretadas pelo Michael W. Smith e pelo Ron Kenoly). Mande aí nos comentários as que esqueci. Embora ache importante, não tive o trabalho de referenciar o compositor ou o primeiro intérprete, apenas coloquei a versão que conheço ou a que saiu primeiro na pesquisa. Ah, e por enquanto só tem a versão em inglês.

Acesse a aqui a playlist.

Edit: Pessoal, alguns videos o YouTube não abre em dispositivos móveis.
Edit 2: Shame on me. Esqueci de citar as fontes do texto. Aí vai:

Fonte: Uma panorâmica sobre salmos e hinos na música evangélica no Brasil. Gilson Santos. Acessado em 20/06/2015 em: http://www.gilsonsantos.com.br/pdfs/salmos_e_hinos_musica_evangelica_brasileira.pdf

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Desentendido por mea culpa de algodão

Já ouvi dizer que a letra mata, Que estudo enfada, Que o que edifica é a oração. Vou contar agora o que acontece, oh mandrião, Na descontextualização. Parece doutra tradução Essoutra interpretação De que a leitura é danação. Veja só em Paulo aparente contradição, Amava tanto a ocupação Que mesmo estando na prisão, Sua vida perto à conclusão, Livros pediu para instrução, Quiçá até recreação, Então... Se pra bom entendedor, meia, Pro mau, sebo nas canelas atrás da explicação. Porque se esse peixe nunca for pescado com as suas próprias mãos, meu irmão, Pode acabar passando por tão grande privação Té que se veja indo lá fora encarar de vez esse leão. Sem profecia, corrupção! Notou o sábio Salomão. Porém a qual revelação Fez o monarca alusão? Só à mensagem do vidente Ainda que incoerente? Ou pode a Bíblia habilmente Edificar a fé do crente? Repetição do ensinamento A quem domina o sermão Traz morte lenta, desalento E ilusória fartação. Um enlatado ontem cruento É requentado amanhã. Não é o leite alimento Para madura alma cristã. Se pra bom entendedor meia, Pro mau, sebo nas canelas atrás da explicação Porque se esse peixe nunca for pescado com as suas próprias mãos, meu irmão, Pode acabar passando por tão grande privação Té que se veja indo lá fora encarar de vez esse leão. Seu discurso a todos confunde, Em ser complicado não há virtude E a não ser que este seja o fim, Verbosidade será sempre ruim No simples há profundidade Há riqueza na concisão Não havendo mediocridade Menos é mais, a não ser que não. Se pra bom entendedor meia, Pro mau, sebo nas canelas atrás da explicação Porque se esse peixe nunca for pescado com as suas próprias mãos, meu irmão, Pode acabar passando por tão grande privação Té que se veja indo lá fora encarar de vez esse leão. O simplório é só torpor Muito barulho sem valor. Até por sábio é reputado O homem tolo quando calado.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Level up... and fail again

É isso aí meus amigos. Quem diria, hein? Já estou me aventurando no mundo da poesia. Deixei um hiato de alguns dias para reflexão, uma pausa dramática proposital, acreditem. Eu já tenho outra na agulha, esta mais pesada. Coming soon.


Mas, primeiro… O Máscara é baseado no Loki, irmão (ao menos no universo Marvel) do Thor, que aparecem, ambos em Sandman, cuja saga “As Bondosas” acabei de ler, entre outras. Aliás, não lembro de ter entrado em contato com história melhor para definir o termo “trama” (usada até no sentido literal neste arco). As crônicas de gelo e fogo ganham por volume (tanto de palavras quanto de personagens) mas “As Bondosas” é mais densa.


Terminei o quinto livro (após uma grande enrolação que intencionava encurtar o tempo entre a leitura deste e do sexto, a ser publicado ano que vem, assim espero) da grande saga fantástica (BTW, o que necessariamente fantasia tem a ver com fantástico?) de George R. R. Martin, que apesar de ser americano, fez bem o dever de casa e está contando devidamente uma história monárquica medieval. Quer dizer, leve em consideração que é um também americano (sim, latino) fazendo esta afirmação. A questão é, terminei, e está acontecendo exatamente o motivo que me fez demorar a começar a ler: estou órfão de novo. Sabe aquela sensação que você teve quando DBZ acabou? Não sei qual foi a história de vocês mas a minha foi DBZ, entre outras.


Hoje, é claro, gerencio bem melhor o sentimento do que na época em que assisti ao anime (até porque, apesar de qualquer coisa, a vida continua e se você procurar, encontrará algo pra preencher a lacuna criada.) Isso me fez lembrar da Apimentada música “Novidade”. Grande Sérgio!


Acredito que amo, cada vez mais, perenidades. Acredito que estou, obviamente, me desapegando cada vez mais de frivolidades. Embora, no momento que vos escrevo, esteja com alguns meses sem jogar PS3 mas com uma vontade louca de fazê-lo. Embora (repare na dupla negação), eu creio que jogue, brinque e enfim, me entretenha, com fins eternos também. Não muito diferente do que me leva a comer ou beber água, acredite ou não.


Indiscutivelmente, ainda faço muita coisa de valor passageiro, inclusive comer, mas estou aprendendo. O Gaither Vocal Band tem uma canção que resume bem o sentimento: One Good Song. Vá pesquisar lá, você sabe onde. Não, não vou embutir vídeos ou links, seu preguiçoso.


No meu caso, eu acrescento uma boa história. Seja ela contada em livro, quadrinhos, game, oralmente, TV, cinema, teatro e por aí vai. A mídia não importa.

E é isso. See you next mission. Oh! Como eu aguardei por anos a tal “mission”. Que acabou sendo a Zero, ou seja, a previous mission.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Razões entre eu e meu mundo

Um uno pra brincar
Chamar amigos e folgar
Pois a tarefa terminei
É assim que ordena sua lei
Antes do gozo vem a provação
Mas o problema é a tentação
Melhor seria nem saber
Pois quando soube quis fazer
O que me fora proibido
Mesmo com o risco do castigo
Mas do pecado o desapego
No fim trará maior sossego

Um meio de acabar
Com esta métrica vulgar
Com a pobre rima sem esquecer
O meio em que fui me meter
Com a redação com lucidez
Pois é um parto toda vez

Um terço pra rezar
Pois com um auxílio onde tocar
A fé parece aumentar
E a resposta acelerar

Um quarto onde deitar,
E a cabeça reclinar
Depois de um dia labutar

Um cesto pra guardar
Um seixo a valorar

domingo, 12 de janeiro de 2014

Quasar

Apresentação (ou Introdução, Prefácio, Preâmbulo, Prólogo)

Sabe aquilo que dizem aos adolescentes? Que eles não são especiais, no sentido de que coisas ruins (ou boas) não acontecem só com eles? Bem, depois de ouvir este... como chamar... esta admoestação várias vezes (não necessariamente com as mesmas palavras e não necessariamente dirigida a mim) sempre penso que minhas boas ideias (ao menos para mim são boas) já foram pensadas por alguém, e isto me desestimula a sequer tentar levá-las a cabo. Este começo se faz necessário como uma proteção contra críticas (que invariavelmente virão). Ao mesmo tempo ele é uma clara mostra do que meu terapeuta define mais ou menos como medo de se expressar (ou da reação à expressão). É como se, nas palavras dele, eu estivesse pedindo desculpas pelo que vou falar. Hehe, estou revisando o parágrafo e me imaginando explicando-o a leitores (uma explicação sobre uma explicação). 

A questão (do parágrafo anterior e não do texto pelo qual resolvi escrever) é que (e isso não é nada novo, eu sei), tenho uma ideia na cabeça, uma protoideia, na verdade; uma ideia que acredito ser genial mas que ainda não tomou forma, irreconhecível no mínimo ao mundo das palavras (ou da comunicação através de palavras) e muitas vezes ao tentar expulsá-la, ao tentar dar à luz a esta ideia, o que nasce é um monstro mitológico deformado que pouco lembra o rascunho traçado no meu mundo interno. Aí (e aqui estou me expondo ao nível de nudez mas, você sabe, não sou EU, é o superego escrevendo), as pessoas não me reconhecem como o gênio que sou mas como alguém dispensável, sem valor, desprezível.

Há quem pense que ser notado como desprezível é melhor do que não ser notado (do que ser invisível) ao ponto de ser tornar desprezível para ser notado. Voltando: a quantidade de apostos explicativos nos meus poucos textos gritam o desespero que tenho por me fazer entendido. Eu faço aposto dentro de aposto. Parece uma expressão algébrica complexa que "desce" a 15 níveis quando só se tem 3 símbolos para separá-los: chaves, colchetes e parênteses. No caso da redação, até onde eu sei, temos vírgula, parênteses e travessão, com a diferença que este não tem ordem de precedência, o que me leva a outra questão relacionada: não sei escrever, ponto final. Não é só questão de ter o vocabulário e não saber usá-lo. Não domino o vernáculo tanto em quantidade como em qualidade. Não é apenas minha semântica ruim, minha sintaxe também é pobre. Embora não me considere incoerente sou deveras incoeso e, pasmem (ou não), estou piorando com o tempo, involuindo. Pelo menos eu sei que parte deste problema é falta de prática. Ao menos também SEI QUE NÃO SEI. Como se chama mesmo isso? Ignorância percebida? É algo assim. Bem, para poder partir deste ponto para o NÃO SEI QUE SEI eu preciso de auxílio que não encontro aqui em Porto Velho ou na internet. Os cursos de redação que encontro são todos técnicos, específicos para uma determinada área. Me pergunto se um curso de direito ou jornalismo me ajudaria.

Por fim, tem a questão da indisponibilidade e da indisposição (nada menos que pura preguiça). Às vezes parece que está tudo lá (pelo menos a princípio, como talvez agora): ideias e palavras fluindo na mente, no entanto, por exemplo, estou no trabalho (onde até tenho alguma liberdade, contanto que não abuse) ou em casa, na cama, e simplesmente não consigo me levantar (literal e figuradamente falando) e escrever. Há uma força quase que gravitacional que me faz permanecer onde estou. Talvez esta força não seja a preguiça, talvez seja a junção irracional dos temores relatados no primeiro parágrafo que cria um bloqueio psicológico e para mim seja mais "cômodo" dizer que é preguiça. Cômodo no sentido de que eu não tenha que pensar noutro termo. Não que seja cômodo sair falando (ou ouvindo) que você não tem disposição para trabalhar. Na realidade, pode ser que eu tenha ouvido desde criança que "este" ou "aquele"  comportamento é característico de preguiçoso. O fato é que nem sempre é preguiça. Até porque às vezes eu já estou de pé, a força não está atuando, ela nem existe neste momento, mas é só surgir a ideia que, como uma irmã gêmea, a força começa a atuar, agora não me prendendo na cama, mas me levando a caminhos alternativos: continuar Chrono Trigger, assistir Naruto ou Seinfeld, ir ao cinema ou até voltar à leitura de Sandman! Sexo não, porque não consigo transar com a cabeça assim. Sexo pra mim não é fuga, pelo menos nesta dimensão.

E é isso. Aqui, por enquanto, você não vai encontrar soluções ou resoluções. Talvez uma parca Ausentação (ou Conclusão, Posfácio, Pos-âmbulo, Epílogo), pois procurando escrever-vos sobre sonhos e mangas, tive por necessidade escrever-vos sobre temores e dúvidas. Não sou digno de ser chamado de unha de Agostinho, mas espero que minhas confissões sirvam a alguém, especialmente a mim mesmo. :)